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Em 6 de novembro de 2001, Buffy, a Caça-Vampiros foi ao ar com um dos episódios mais ousados da TV americana. O sexto ano da série, no sétimo capítulo, trouxe ‘Once More, With Feeling’: um episódio inteiro em que uma maldição demoníaca obriga todo mundo em Sunnydale a cantar e dançar como se estivesse num musical da Broadway. A ideia partiu do criador Joss Whedon, e o resultado virou referência até hoje — frequentemente citado por fãs como o melhor episódio da atração.

O ponto central é que o musical não é só um número divertido. A tal maldição serve para empurrar a trama adiante e forçar os personagens a dizer o que normalmente esconderiam. O melhor exemplo é a relação entre Buffy (Sarah Michelle Gellar) e Spike (James Marsters): os dois vinham de uma dinâmica tóxica de aproxima e afasta, e Spike aproveita a música ‘Rest in Peace’ para despejar o que sente. No fim do episódio, com a maldição desfeita mas as emoções à mostra, os dois se beijam de verdade pela primeira vez — e, como todo fã da série sabe, o relacionamento não termina bem.

Nos bastidores, o anúncio não foi nada glamouroso. Segundo Marsters, em vez do roteiro do próximo episódio, o elenco recebeu uma fita cassete com o próprio Whedon cantando as músicas e tocando piano. Para o ator, que se descreve como roqueiro punk, a primeira reação foi de pânico: ‘O que é isso?’. A fita teria gerado uma onda de apreensão nos trailers, com o elenco saindo para o sol perguntando o que estava acontecendo.

A preocupação tinha motivo. Marsters e Anthony Head (Giles) já tinham experiência com música — Marsters canta em bares desde os 13 anos e integra a banda Ghost of the Robot, enquanto Head viveu Frank-N-Furter no West End em Rocky Horror Picture Show. O restante do elenco, não. Segundo o ator, colegas argumentaram que foram contratados como atores dramáticos e cômicos de câmera única, e que seriam expostos para dezenas de milhões de pessoas fazendo algo fora da especialidade. Marsters conta que Sarah Michelle Gellar teria dito que preferia equilibrar motosserras a cantar.

Mesmo assim, o elenco aceitou o desafio e decidiu ‘cair atirando’. Atores contrataram preparadores vocais e professores de dança por conta própria e passaram a ensaiar durante as gravações dos episódios anteriores. A virada veio quando a produção mostrou um corte bruto da sequência de Xander e Anya, com dança e música. O material agradou, e o time percebeu que o episódio poderia funcionar de verdade.

Para Marsters, a força de ‘Once More, With Feeling’ está em usar a música para revelar segredos que os personagens jamais contariam em diálogo normal. Ele lembra que grandes musicais param a história quando o personagem precisa expressar algo que palavras não dão conta — e que Whedon sabia usar isso para criar o caos de um dia inteiro de verdades expostas. É esse mecanismo que faz o episódio seguir relevante 25 anos depois.

Visão Gamer: para quem curte narrativa em séries e jogos, o episódio é um estudo de caso sobre como uma mecânica fora do padrão — aqui, a música — pode servir à trama em vez de ser só um número especial. É o tipo de recurso que, quando bem encaixado, revela personagens e avança a história sem precisar de diálogo expositivo.



Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/buffy-vampire-slayer-once-more-with-feeling-musical-25-years-james-marsters/.
Fonte: Polygon.
2026-11-06 12:00:00
RenatoAlmeida.
2026-11-06 11:12:00
























































































