Veterano da BioWare explica por que Baldurs Gate 3 foi uma sequência tão boa: não tentou ser como Baldurs Gate 2

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Fonte da imagem: Pcgamer

Mark Darrah, veterano da BioWare que trabalhou como programador nos dois primeiros Baldur’s Gate, além de Neverwinter Nights e Jade Empire, e que atuou como produtor executivo da série Dragon Age de Origins a Inquisition, tem uma teoria sobre o sucesso estrondoso de Baldur’s Gate 3. Em entrevista ao site FRVR, Darrah afirmou que o jogo da Larian Studios se destacou justamente por não tentar replicar a fórmula dos antecessores, mas sim por abraçar a identidade própria do estúdio e a evolução dos RPGs de computador nas últimas duas décadas.

Para Darrah, que deixou a BioWare em 2020 e retornou em 2023 para contribuir com Dragon Age: The Veilguard, a grande virtude de Baldur’s Gate 3 foi a coragem de Larian de fazer algo original, em vez de uma homenagem nostálgica aos clássicos da Infinity Engine. Ele comparou a abordagem da Larian com a da Obsidian Entertainment, responsável por Pillars of Eternity, que, segundo ele, é um jogo que parece um jogo de Infinity Engine. Embora tenha elogiado os jogos da Obsidian, Darrah considera essa fidelidade um fator limitante.

A realidade é que a indústria avançou muito desde então, disse Darrah. Eu pensava: ‘Ah, sim, esta é uma adaptação muito fiel daquilo’, e descobri que, na verdade, não era mais isso que eu queria. Essa reflexão sobre a evolução do gênero e as expectativas dos jogadores é central para entender o sucesso de Baldur’s Gate 3, que, nas palavras de Darrah, é com sabor de Baldur’s Gate 1 e 2, mas também com sabor de Divine Divinity.

O veterano destacou que a Larian foi influenciada por sua própria trajetória, incluindo a série Divinity, e pelo que os CRPGs se tornaram nos 20 anos que separam o segundo e o terceiro jogo da franquia. Eles são influenciados pelo seu próprio histórico, são influenciados pelo que os CRPGs se tornaram no intervalo de 20 anos, explicou. Então, acho que é uma ótima sequência. Eles fizeram a coisa certa, dado o tamanho dessa lacuna.

A análise de Darrah encontra eco na recepção crítica e comercial de Baldur’s Gate 3. O jogo, que já ultrapassou a marca de três anos desde o lançamento, continua entre os mais populares do Steam, um feito notável para um RPG single-player. Além disso, a obra da Larian ofuscou os jogos anteriores da série, tornando-se um fenômeno cultural e financeiro.

Parte desse sucesso pode ser atribuída à semelhança de Baldur’s Gate 3 com os jogos da série Divinity, da própria Larian, que também são aclamados pela crítica. Divinity: Original Sin 2, por exemplo, foi eleito o Jogo do Ano pela PC Gamer em 2017. Na época, o editor Wes Fenlon descreveu o título como um RPG com uma história e personagens tão interessantes que nunca houve algo assim que pudesse ser jogado em cooperação com quatro jogadores — uma descrição que se aplica perfeitamente a Baldur’s Gate 3.

O sucesso de Baldur’s Gate 3, no entanto, criou um dilema para a Hasbro, proprietária da franquia. A empresa agora detém uma propriedade intelectual extremamente lucrativa, mas que ninguém quer tocar, por medo de não estar à altura do legado deixado pela Larian. A comparação feita por Darrah é com os Beatles: quem se atreveria a continuar depois deles?

Darrah, no entanto, tem uma sugestão para a Hasbro: seguir o modelo de Fallout: New Vegas, que foi desenvolvido por um estúdio diferente do que criou a série original, mas com a bênção dos criadores. Conseguir que a Larian concorde em licenciar a Divinity Engine e essencialmente deixar alguém fazer um pacote de expansão gigante para Baldur’s Gate 3 e chamar isso de Baldur’s Gate 4, propôs Darrah. Isso poderia funcionar.

A alternativa, defendida por Fraser Brown, editor da PC Gamer, é mais simples: simplesmente não fazer. Essa abordagem, embora conservadora, evitaria o risco de manchar a reputação da franquia com uma sequência que não estivesse à altura das expectativas.

Enquanto a Hasbro decide o futuro da série, os fãs continuam a desfrutar de Baldur’s Gate 3, que se mantém relevante e amado. A análise de Mark Darrah, baseada em sua vasta experiência na BioWare, oferece uma perspectiva valiosa sobre o que torna uma sequência verdadeiramente bem-sucedida: não a imitação, mas a evolução e a identidade própria.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/baldurs-gate/bioware-veteran-says-baldurs-gate-3-was-such-a-great-sequel-because-it-didnt-try-to-be-too-much-like-baldurs-gate-2/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-07 21:59:00

RenatoAlmeida.

2026-08-08 00:01:00

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