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A.I. Artificial Intelligence, ficção científica de 2001 dirigida por Steven Spielberg a partir de um projeto desenvolvido com Stanley Kubrick, está disponível no streaming pelo Peacock. O longa foi finalizado por Spielberg após a morte de Kubrick e chegou aos cinemas naquele ano, dividindo críticos e público.

Ambientado no século 22, o filme se passa em um mundo devastado por uma crise climática. Em vez de um boneco de madeira, a história acompanha David (Haley Joel Osment), um mecha — robô humanoide — que deseja se tornar um garoto de verdade e conquistar o amor de sua mãe. É uma releitura nada convencional de Pinóquio, com o desejo de pertencer no centro da trama.
Na trama, Monica (Frances O’Connor) e Henry (Sam Robards) enfrentam a doença do filho Martin (Jake Thomas), que está em coma de longo prazo. Para lidar com a dor, Henry leva para casa um protótipo de criança mecha capaz de sentir amor incondicional quando o protocolo de imprinting é ativado. Monica ativa o código que faz David amá-la para sempre. Ele não dorme nem come como humanos, mas tenta imitar e se integrar ao cotidiano. Também faz amizade com Teddy, o ursinho robótico de Martin.

Quando Martin se recupera inesperadamente, a volta do menino cria uma série de problemas para David. O garoto humano zomba da incapacidade do androide de seguir normas humanas, e os amigos dele o provocam sem parar. As tentativas de David de seguir sua programação saem pela culatra: o desejo de ser amado é tão forte que ele enfia comida na boca até danificar a fiação. Em um episódio, seus módulos de autodefesa são ativados e colocam em risco as crianças que o ameaçavam. Logo depois, o protótipo criado para preencher o vazio de um filho real é descartado.
Na época do lançamento, o debate sobre inteligência artificial era bem diferente do atual. Mesmo assim, o filme polarizou. Parte do público considerou o final fairy tale excessivamente sentimental; outra parte enxergou na sociedade distópica retratada por Spielberg um retrato cruel e desconfortável. Para a fonte, o longa é menos sobre inteligência artificial e mais sobre viver em uma sociedade dessensibilizada ao egoísmo humano. A discussão sobre se David sente de verdade ou apenas simula emoções, como um chatbot, é tratada como irrelevante: a intenção de Spielberg seria que o público enxergasse a condição de David como profundamente trágica, assim como o desejo de Pinóquio de virar um menino de carne e osso.

David é um protótipo infantil cuja programação é irreversível — seu amor por Monica nunca vai vacilar nem mudar, não importa quanto tempo passe. Mesmo após testemunhar a crueldade humana, seu desejo de pertencer e de ser amado pela mãe permanece. Mesmo depois de os humanos sumirem da face da Terra, David lembra. Ou melhor, está condenado a lembrar, com a programação puxando suas cordas como um titereiro eterno. O final, que a fonte evita detalhar para quem nunca viu, reforça o quanto David não é humano. Amar é mudar e sofrer a perda, mas ele não tem esse luxo: fica preso em um estase de séculos querendo ser um garoto real.
Visão Gamer: A volta de A.I. Artificial Intelligence ao catálogo do Peacock é uma chance de conferir um dos projetos mais curiosos da carreira de Spielberg, nascido da parceria com Kubrick. Para quem gosta de ficção científica que mistura conto de fadas sombrio com discussão sobre consciência artificial, o filme segue como uma opção fora do óbvio — e agora com acesso facilitado via streaming nos Estados Unidos.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/steven-spielberg-sci-fi-pinocchio-streaming-peacock-october-2026/.
Fonte: Polygon.
2026-10-16 09:30:00
RenatoAlmeida.
2026-10-16 10:17:00
































































































