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Tem jogo que envelhece mal. E tem RPG dos anos 90 que segue firme, seja pela história, pelo sistema de combate ou pela ousadia de fazer diferente. A década foi decisiva para o gênero: foi nela que o primeiro PlayStation (1995) e o Nintendo 64 (1996) chegaram ao mercado, abrindo espaço para experiências que até hoje servem de referência para lançamentos modernos.

Um dos nomes mais lembrados dessa safra é Chrono Trigger. Antes da fusão que criaria a Square Enix, Squaresoft e Enix se uniram em 1995 para produzir o título, que coloca o jogador no controle de Crono e seu grupo em viagens no tempo para impedir uma catástrofe global e deter a entidade alienígena Lavos. A fórmula mistura narrativa envolvente, trilha marcante e combate fluido baseado no sistema Active Time Battle, usado nos primeiros Final Fantasy. Três décadas depois, o que mais chama atenção é a rejogabilidade: são mais de uma dezena de finais para descobrir, incluindo um secreto que homenageia a equipe de desenvolvimento.

Já Castlevania: Symphony of the Night não foi o primeiro jogo da série, mas mudou tudo. Saiu da estrutura de plataforma em fases para virar action-RPG e plantou a base do que hoje chamamos de Metroidvania. No papel de Alucard, o filho meio-humano de Drácula, o jogador explora o castelo do pai — e ele é enorme: 940 salas, mais o mesmo tanto em versões espelhadas, somando 1.880 aposentos em dois mapas. Com o 30º aniversário se aproximando, em 2027, o pixel art gótico e a trilha de Michiru Yamane continuam sendo pontos altos da franquia.

EarthBound apostou no oposto do heroísmo tradicional. Ness e seus amigos usam tacos de beisebol em vez de espadas e recuperam vida comendo pizza e hambúrguer, tudo para impedir uma invasão alienígena. A aventura de amadurecimento, com visual 16-bit típico do Super Nintendo, hoje é mais cultuada do que na época do lançamento. Na edição de julho de 1995 da GamePro, o crítico Sir Scary Larry escreveu que o humor era maduro demais para crianças e o gameplay imaturo demais para jogadores mais velhos, prevendo que o jogo cairia logo. O tempo tratou de provar o contrário.

Final Fantasy Tactics chegou em 1997 com boa recepção de público e crítica, incluindo o prêmio Editor’s Choice da IGN. A trama acompanha o cadete Ramza Beoulve durante a Guerra dos Leões e aborda temas como luta de classes e corrupção política. O sistema de jobs flexível permite trocar de classe, acumular pontos e combinar habilidades, começando como Squire ou Chemist e evoluindo para funções como Knight ou Black Mage. O jogo ganhou versão para PSP em 2007, The War of the Lions, e um remake moderno, The Ivalice Chronicles, lançado em 2025 com melhorias de qualidade de vida e opção de alternar entre gráficos clássicos e aprimorados.

Fire Emblem: Genealogy of the Holy War saiu em 1996 exclusivamente no Japão e nunca recebeu tradução oficial para o inglês — o que faz do emulador a única porta de entrada para esse clássico cult. Dividido em duas partes, o jogo permite formar casais na primeira metade; a segunda traz um elenco quase todo novo, formado em grande parte pelos filhos desses personagens. Títulos recentes da série, como o futuro Fortune’s Weave, abandonaram o sistema de matchmaking, mas os fãs seguem pedindo um remake há anos.

Super Mario RPG, de 1996, tirou Mario do molde dos platformers ao colocá-lo ao lado de Bowser e da Princesa Peach. A parceria com a Squaresoft, que já crescia com Final Fantasy, rendeu um combate por turnos com ataques e itens como cogumelos para recuperar vida. Uma versão polida chegou ao Nintendo Switch em 2023, com gráficos 3D mais modernos, mas mantendo o gameplay central intacto.

Fallout 2, de 1998, está longe dos gráficos de Fallout 76, mas compensa na narrativa. Ambientado 80 anos após o primeiro jogo, o mapa é quase o dobro do original, com mais liberdade de exploração e mais personagens. As decisões do jogador alteram o destino de cidades e moradores. Com a franquia consolidada na cultura pop — incluindo a série de TV no Prime Video —, revisitar o título é uma forma de ver onde tudo começou.

Parasite Eve mistura o survival horror de Resident Evil com a cinematografia de Final Fantasy. No RPG de terror ambientado em Nova York no fim dos anos 90, a oficial Aya Brea vai à ópera na véspera de Natal quando parte da plateia começa a combustão espontânea. Só ela e a misteriosa cantora Melissa Pearce escapam — e Melissa está possuída pelo parasita mitocondrial Eve. Aya precisa caçá-la para impedir que algo pior aconteça.

Visão Gamer: A lista mostra que muitos dos pilares dos RPGs atuais — combate por turnos, sistemas de jobs, múltiplos finais e exploração não linear — nasceram ou foram refinados nesses títulos dos anos 90. Para quem quer entender a origem de mecânicas que aparecem até hoje, esses jogos funcionam como referência histórica e continuam acessíveis em versões originais ou remakes.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/best-classic-90s-rpgs/.
Fonte: Polygon.
2026-10-31 22:05:00
RenatoAlmeida.
2026-11-01 02:39:00
































































































