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Quem acompanha Doctor Who sabe que a era do 11º Doutor, vivido por Matt Smith, ficou marcada por despedidas que doem até hoje. E poucas chegam perto do que acontece em The Angels Take Manhattan, episódio exibido há 14 anos que encerra a jornada de Amy Pond (Karen Gillan) e Rory Williams (Arthur Darvill) na série. A trama começa como um passeio tranquilo: os três estão em um parque de Nova York quando Rory sai para buscar café e é jogado para 1938 por um Cherub, uma variação dos Weeping Angels. Lá, ele cruza com River Song (Alex Kingston), que usa o pseudônimo Melody Malone, e descobre que Manhattan virou território de caça dos Anjos. Eles dominaram um prédio chamado Winter Quay, onde prendem vítimas e se alimentam repetidamente da energia temporal gerada ao enviá-las ao passado.

O detalhe mais curioso do episódio é que o próprio Doutor está lendo um romance policial escrito por River que narra os acontecimentos enquanto eles acontecem. O livro serve como guia e armadilha ao mesmo tempo: Uma vez que sabemos o que está por vir, está escrito em pedra, avisa o Doutor. Enquanto não leem adiante, o futuro ainda pode mudar — mas para salvar Rory, precisam continuar virando as páginas.

A virada vem quando Rory encontra uma versão idosa de si mesmo, presa há décadas no Winter Quay esperando a morte. Não é um futuro possível, é um ponto fixo no tempo. A saída que ele enxerga é saltar do topo do prédio. Amy tenta dissuadi-lo, com a Estátua da Liberdade — sim, um Weeping Angel de verdade — ao fundo. Rory pede que ela o empurre. Em vez disso, Amy sobe na mureta, segura a mão dele e diz: Juntos, ou não vamos. Os dois saltam. É ao mesmo tempo assustador e profundamente romântico, enquanto o Doutor desmorona emocionalmente no telhado.

O paradoxo funciona: Winter Quay é apagado e os dois acordam vivos em um cemitério. Mas Rory vê seu nome em uma lápide, e um último Anjo o toca, mandando-o de volta a 1938. As linhas temporais de Nova York ficaram bagunçadas demais, e a morte de Rory na velhice agora está literalmente gravada em pedra. A TARDIS não poderá mais voltar, e parece que visitar Nova York em qualquer época se torna um problema. Amy recebe uma escolha: piscar e deixar o Anjo levá-la ao passado, sem certeza de que encontrará Rory, ou partir com o Doutor. Ele implora para que ela fique, mas ela escolhe Rory e pede que River cuide do Doutor.

A atuação de Smith torna a perda ainda mais pesada porque seu Doutor costuma se esconder atrás da palhaçada. Ele é excêntrico, impulsivo e capaz de transformar cansaço milenar em empolgação infantil. Nos momentos finais de Amy, tudo isso desmorona. Ele grita, chora, mas ela vai mesmo assim. Antes, Amy deixa uma última mensagem no posfácio do livro de River, garantindo que ela e Rory viveram bem e foram felizes, e pedindo que ele não viaje sozinho. Os Weeping Angels são os monstros perfeitos para encerrar essa história justamente porque não matam de forma simples.

Visão Gamer: Para quem acompanha Doctor Who pelo streaming, The Angels Take Manhattan é um daqueles episódios que mostram como uma trama de viagem no tempo pode funcionar melhor quando aposta em consequências emocionais em vez de explicações técnicas. A lógica temporal do episódio é flexível, mas o peso das escolhas de Amy e Rory é o que sustenta a história.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/doctor-who-the-angels-take-manhattan-14th-anniversary/.
Fonte: Polygon.
2026-09-30 08:00:00
RenatoAlmeida.
2026-09-30 08:17:00











































































































