Documentário sobre Elizabeth Holmes vira debate sobre verdade e manipulação

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Documentário sobre Elizabeth Holmes vira debate sobre verdade e manipulação

IGN Articles.

Fonte da imagem: IGN

O documentário You Can See Everything, dirigido por Nathan Fielder (Nathan for You) e Lance Oppenheim (Primetime), está em cartaz nos cinemas e virou um dos filmes mais comentados do ano, superando recordes de bilheteria para documentários. O longa acompanha Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos, condenada após a empresa ser revelada como vendedora de uma máquina de exames de sangue que não funcionava de fato.

A proposta do filme não é reabrir o veredito judicial, mas investigar se Holmes compreende que mente ou se confunde o que deseja com o que é real. Pessoas especulam há anos sobre um possível diagnóstico de transtorno de personalidade narcisista, embora ela não tenha diagnóstico público. Na obra, Holmes chega a parecer neurodivergente, e seu parceiro, Billy Evans, aparece de forma controladora. O filme também levanta a dúvida sobre a influência de Ramesh Sunny Balwani, com quem Holmes se envolveu aos 18 anos, quando ele tinha 37.

Um dos momentos mais comentados é quando Fielder mostra a Holmes e Evans o esquete Who’s on First?, de Abbott e Costello. Ela ri, mas afirma não ter entendido que o nome do jogador da primeira base era Who, o que é a base da piada. Evans diz que o cérebro dela funciona de outra forma e a manda para a cama como se fosse criança. A sequência sugere que Holmes não usa a linguagem como o restante das pessoas.

O documentarista também exibe um clipe em que Holmes diz que a máquina da Theranos pode realizar os exames, sem esclarecer que ainda não conseguia. Ela e Evans tiram o equipamento do armazenamento para mostrar que o aparelho era capaz de funcionar, mas os testes não acompanhavam. A implicação é que o que foi tratado como mentira poderia ser uma falha de compreensão linguística.

O denunciante da Theranos Tyler Shultz contesta essa leitura. Em entrevista à CBS, ele disse que quase saiu do assento durante a sequência do aparelho, porque, segundo ele, não era a máquina usada em pacientes, mas uma versão futura que nunca foi concluída. Para Shultz, o filme reabre o caso apenas o suficiente para plantar dúvida no público, e ele afirma que a produção não é um documentário, mas uma história bem contada.

A discussão sobre quem manipula quem começa no próprio filme. Holmes e Evans propuseram um documentário para contar a versão deles, e os diretores usaram o mesmo rótulo para contar a deles. Não há um padrão legal obrigatório para capturar a verdade. Estudos citados mostram que o público tem dificuldade de separar fato de ficção: uma pesquisa da Washington University apontou que estudantes lembravam informações erradas de filmes em até metade das vezes, e um aviso genérico não mudou o resultado. No Reino Unido, a parcela de espectadores que acreditava que The Crown era historicamente precisa subiu de 19% para 27% entre 2022 e 2023.

A escolha de Fielder e Oppenheim também chama atenção. Oppenheim lançou recentemente Primetime, sobre como o apresentador Chris Hansen manipulava participantes de To Catch a Predator, e Hansen classificou o filme como obra de ficção completa. Fielder já enfrentou questionamentos sobre a ética na forma como retratou participantes em Nathan for You e The Rehearsal. O texto não afirma que eles agiram de forma antiética, mas aponta que usam a própria reputação para levantar questões sobre verdade.

Há ainda uma reviravolta perto do fim: Holmes vai para a prisão, e o filme inverte a lógica ao colocar Amanda Seyfried, que interpretou Holmes na ficção, para assistir à versão real. O longa está em cartaz nos cinemas.

Visão Gamer: A discussão sobre o documentário não envolve jogos diretamente, mas toca em um tema caro à comunidade: a dificuldade de separar o que é real do que é encenação. Para quem acompanha narrativas e produções que misturam ficção e realidade, o caso reforça como o formato e a reputação de quem conta a história influenciam a forma como o público interpreta os fatos.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/everyone-is-running-a-con-in-you-can-see-everything.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-11-01 13:00:00

RenatoAlmeida.

2026-11-01 10:43:00

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