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Quem está jogando Fire Emblem: Fortune’s Weave sabe que a escolha da primeira rota muda bastante a experiência. Entre as opções, Leda chama atenção por um motivo diferente: sua jornada tem pouco a ver com a trama geral do jogo e muito mais com uma vingança pessoal. Ela busca acertar contas após a morte do pai, e essa sede de justiça — ou de sangue — a coloca em um caminho bem distinto dos outros protagonistas.

Essa premissa lembra bastante outro RPG: Tales of Berseria, lançado em 2017 pela Bandai Namco. No jogo, Velvet Crowe presencia o cunhado, Artorius Collbrande, matando seu irmão mais novo, Laphicet. A partir daí, ela jura lutar até conseguir vingança, custe o que custar. As semelhanças com Leda são evidentes: as duas testemunham a morte de quem mais amavam e ficam marcadas para sempre por isso.

A diferença é que Velvet passa os primeiros anos completamente sozinha, presa em uma cela subterrânea cheia de monstros. Quando surge a chance de se aproximar do homem que destruiu sua vida — no caso dela, durante uma fuga da prisão; no de Leda, nos Heroic Games —, ambas agarram a oportunidade sem pensar duas vezes.
Tanto Tales quanto Fire Emblem são séries focadas em personagens e elencos diversos. Leda e Velvet contam com grupos de aliados leais, mas essa lealdade nem sempre é retribuída da melhor forma. Velvet acumula raiva e ressentimento após anos de prisão, e qualquer um que fique no seu caminho — amigo ou inimigo — pode se machucar. Leda segue o mesmo padrão: ameaça e chantageia outros competidores para tirá-los dos jogos, ignorando as preocupações dos amigos.

Conforme se entregam aos desejos mais sombrios, as duas se isolam cada vez mais. Essa espiral é alimentada por suas maldições: Velvet tem um braço demoníaco que devora pessoas, enquanto Leda carrega uma vihuela — uma espécie de guitarra — que a instiga a matar e destruir quanto mais ela toca. Quanto mais perto da vingança, mais as duas se deterioram emocional e mentalmente.

Não dá para dizer que Leda e Velvet são heroínas exemplares. A raiva delas as coloca em conflito com todos ao redor, mas nem a Intelligent Systems nem a Bandai Namco as transformam em vilãs absolutas. Os colapsos que enfrentam vêm do mesmo lugar: luto profundo pela perda de quem amavam. Isso não apaga o mal que causam, mas explica por que agem assim.

Sem entrar em território de spoiler, os caminhos de Leda e Velvet acabam seguindo direções diferentes na busca por vingança. Ainda assim, tanto Fire Emblem: Fortune’s Weave quanto Tales of Berseria entregam uma proposta intensa para quem gosta de ver mulheres com sangue nas mãos e ódio no coração — personagens que erram, sentem raiva e não pedem desculpas por isso.
Visão Gamer: Para quem está começando Fortune’s Weave e gosta de narrativas de vingança, a rota de Leda oferece uma experiência mais pessoal e desconectada da trama principal. Já Tales of Berseria, disponível para PS4 e PC, segue como uma referência do tema. As duas histórias mostram que jogos de RPG estão cada vez mais dispostos a explorar protagonistas femininas complexas, que não precisam ser exemplos de virtude para carregar uma campanha.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/fire-emblem-tales-of-berseria/.
Fonte: Polygon.
2026-10-05 00:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-05 03:13:00










































































































