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Lançado em 23 de maio de 2013 no Japão e trazido para o Ocidente dois meses depois, Shin Megami Tensei 4 foi o retorno que os fãs da série esperavam havia quase uma década. Em vez de viagens escolares e praias ensolaradas, o jogador encara um cenário pós-apocalíptico onde Tóquio virou um inferno dominado por demônios sedentos por sangue. E foi justamente no Nintendo 3DS, um portátil, que a Atlus provou que ainda sabia entregar um RPG difícil e sombrio, mesmo depois do sucesso estrondoso de Persona 3.
O game chegou com um CD recheado de músicas sinistras e um livro de 176 páginas chamado Strategy & Design Book, produzido em parceria com a Prima Games. Mas o destaque mesmo está no combate. A série mantém o sistema Press Turn: os turnos são por rodada, mas apertar botões sem pensar não funciona. É preciso explorar o sistema elemental expandido para ganhar turnos extras ao acertar as fraquezas dos inimigos. Errar a habilidade significa dano mínimo e vulnerabilidade. Inimigos comuns raramente são um problema, mas encarar um chefe sem preparo é dor garantida.

As batalhas começam quando o jogador esbarra nos inimigos pelo mapa, algo que lembra os encontros aleatórios dos JRPGs clássicos. Os ambientes são escuros e claustrofóbicos, e fugir do combate depois que um adversário te nota é complicado. Mesmo quando dá para evitar, um pouco de grind é necessário para subir de nível e melhorar atributos. Além disso, os demônios derrotados podem ser recrutados — uma convenção da série que existe antes mesmo de Pokémon. Depois, eles podem ser fundidos para criar aliados poderosos, um sistema que prende por dezenas de horas.
A história é rica e imaginativa, com uma lore que envolve uma cúpula cobrindo Tóquio. As escolhas do jogador definem se Flynn, o protagonista, será o salvador do mundo ou uma de suas maiores ameaças, aliado a anjos sombrios que querem destruir a cidade. Os múltiplos finais dão motivos para encarar a longa campanha mais de uma vez. A Atlus ainda lançou Shin Megami Tensei 4: Apocalypse em 2016, explorando outros eventos dentro do mesmo mundo.

A franquia Shin Megami Tensei é sombria e desafiadora, e prospera nas sombras de um jeito que a agora mais popular Persona não faz. O quarto jogo diminuiu a distância entre os dois ramos da MegaTen, mas sem perder o que agradava os fãs dos títulos mais antigos. O resultado fica num meio-termo entre hardcore e acessível, com acenos suficientes para atrair um público maior.
A Atlus não tem medo de relançar seus sucessos para plataformas modernas. Persona 4: Golden saiu no Vita, por exemplo, e Persona 4 Revival chega em 18 de fevereiro de 2027. Fica a torcida para que o próximo passo seja disponibilizar Shin Megami Tensei 4 em hardwares mais novos, para que ninguém precise encarar a telinha do 3DS. Mais de uma década depois, esse talvez seja o desafio mais hardcore de todos.
Visão Gamer: Para quem só conhece a Atlus pelos Social Links de Persona, Shin Megami Tensei 4 é uma porta de entrada para o lado mais brutal da MegaTen. O sistema Press Turn e o recrutamento de demônios continuam sendo os grandes diferenciais para quem gosta de RPG por turnos com profundidade estratégica. O problema é que o jogo segue preso ao 3DS, sem versão para consoles atuais ou PC — o que limita o acesso a quem não tem o portátil. Se a Atlus seguir o exemplo de Persona 4 Golden e levar o título para plataformas modernas, a comunidade ganha uma chance real de redescobrir um dos JRPGs mais desafiadores daquela geração.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/shin-megami-tensei-4-3ds-jrpg-retrospective/.
Fonte: Polygon.
2026-09-27 19:00:00
RenatoAlmeida.
2026-09-28 01:31:00











































































































