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O clássico The Shining, dirigido por Stanley Kubrick em 1980, está de volta ao catálogo da HBO Max. A informação é relevante para quem curte terror e para quem acompanha a relação conturbada entre o autor Stephen King e a adaptação de uma de suas obras mais pessoais.

Baseado no romance homônimo de 1977, o filme acompanha Jack Torrance (Jack Nicholson), um escritor em crise que aceita o emprego de zelador do Overlook Hotel, nos montes do Colorado, durante o inverno. Ele se muda para lá com a esposa Wendy (Shelley Duvall) e o filho Danny (Danny Lloyd), que tem uma habilidade psíquica que o atormenta com visões. Isolados pela neve, os três encaram seus próprios demônios enquanto o hotel parece empurrar Jack para a violência.
King nunca escondeu que detesta a versão de Kubrick. O autor sempre descreveu o livro como um reflexo de suas próprias lutas com o alcoolismo e os medos ligados à paternidade. Na visão dele, o filme trai a essência dos personagens. Em entrevista à BBC em 2013, King criticou a construção de Wendy: Shelley Duvall como Wendy é uma das personagens mais misóginas já colocadas no cinema. Ela basicamente está ali para gritar e ser estúpida. Não é a mulher que eu escrevi.

A divergência também aparece em Jack. Para Kubrick, o personagem já chega ao hotel psicologicamente preparado para cumprir as ordens assassinas do lugar. Em entrevista ao crítico Michel Ciment, o diretor afirmou que Jack é ressentido pelo fracasso como escritor, casado com uma mulher por quem sente apenas desprezo, e que odeia o filho. King, por outro lado, enxergava Jack como um homem bom, que ama a família e é enlouquecido por forças malignas do hotel. Em 1983, ele disse à Playboy que Nicholson estava errado para o papel: Seu último grande trabalho tinha sido em Um Estranho no Ninho, e entre aquilo e seu sorriso maníaco, o público automaticamente o identificou como um louco desde a primeira cena.

Apesar das críticas, a versão de Kubrick é tida como um marco do terror, com planos de abertura deslizando pelas montanhas, a Steadicam vagando pelo hotel como um fantasma e a simetria fria característica do diretor. No fim, Wendy salva o filho e enfrenta o marido, mesmo com todo o medo, e se torna o elemento mais humano do filme.
Visão Gamer: para quem gosta de terror e de adaptações, a volta de The Shining à HBO Max é uma chance de conferir o clássico de Kubrick e, de quebra, entender na prática por que Stephen King considera essa uma das adaptações mais distantes de sua obra original.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/stephen-king-the-shining-on-hbo-max/.
Fonte: Polygon.
2026-10-18 08:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-18 12:15:00
































































































