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Final Fantasy 7 não começa como um conto de fadas clássico. A primeira cena do jogo de 1997 mostra um grupo de eco-terroristas planejando explodir uma usina elétrica. Mesmo assim, a aventura da Square Enix carrega uma série de elementos tirados diretamente das histórias tradicionais — e, segundo análise publicada pela Polygon, essa mistura ajuda a explicar por que a história segue ressoando com jogadores quase três décadas depois.

A comparação começa pelo cenário. Em vez de um castelo medieval, FF7 tem Midgar, a cidade-sede da Shinra Corporation. Os reatores Mako funcionam como torres imponentes, e o prédio central da empresa ocupa o papel do palácio. A família real também existe: o presidente Shinra, seu filho Rufus e os subordinados que servem ao império corporativo. A aventura de Cloud e companhia começa ali, e mesmo quando o grupo parte para outras regiões, Midgar continua influenciando o destino do planeta.

O protagonista é outro ponto de contato com os contos tradicionais, mas invertido. Cloud é um garoto do interior que entra nas forças armadas da Shinra para impressionar uma garota. Diferente de um herói que descobre uma origem nobre, ele descobre que não é quem imaginava ser. Boa parte da jornada gira em torno de lidar com falhas, arrependimentos e limitações — e o carisma nas acrobacias com a espada não resolve o complexo de impostor do personagem.

A magia em FF7 também ganha uma roupagem própria. Em vez de fadas e poções, o poder vem do Mako, substância que mistura a ideia de petróleo — algo finito, tóxico e explorado comercialmente — com um campo de energia que percorre todos os seres vivos. A análise da Polygon observa que, se algo parecido existisse no mundo real, não faltaria gente disposta a lucrar com isso sem medir consequências.

O grande vilão reforça o lado sombrio da trama. Sephiroth, ex-SOLDIER, manipula o grupo ao longo da história, criando aparições que normalmente só Cloud consegue ver. Na maior parte do tempo, porém, ele está no Cratera do Norte, à distância, como uma bruxa lançando feitiços sobre um caldeirão. A obsessão do vilão por Cloud também tem raízes: o episódio em Nibelheim, quando o protagonista o apunhalou.

Os animais falantes dos contos de fadas aparecem na forma de Red XIII, descrito como uma mistura de lobo, cão e grande felino, e que tem um papel importante ao revelar detalhes sobre o Mako, o Lifestream e a energia espiritual do planeta em Cosmo Canyon. Já as lições universais ganham versão adulta: desconfiar de grandes corporações gananciosas e entender que dá para ser um fracasso profissional com problemas mentais sérios e, ao mesmo tempo, alguém admirado por muita gente.

Por fim, Aerith ocupa o lugar da donzela que precisa ser salva — só que invertido. A vendedora de flores dos cortiços de Midgar é a última dos Cetra e a única capaz de cumprir a missão de salvar o planeta. Na reta final do jogo original, ela aparece cercada pelo Lifestream, em estado de limbo entre a vida e a morte, como uma Bela Adormecida. Com dois capítulos da trilogia de remakes já lançados, a pergunta central da comunidade é se Aerith poderá ser salva desta vez. A resposta deve chegar com Final Fantasy 7 Revelation, previsto para 8 de abril de 2027.

Visão Gamer: A leitura proposta pela Polygon não muda nada no gameplay, mas ajuda a entender por que FF7 atravessa gerações. Para quem acompanha os remakes, o texto reforça o peso da pergunta sobre o destino de Aerith — e coloca a data de 8 de abril de 2027 como o próximo marco concreto para os fãs da trilogia.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/ff7-final-fantasy-7-fairy-tale/.
Fonte: Polygon.
2026-10-27 10:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-27 10:41:00































































































