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Ficção científica não precisa ser sinônimo de texto denso, facção política complicada e explicação teórica de tecnologia. O gênero também tem espaço de sobra para humor, aventura e histórias que prendem sem exigir um manual ao lado. Pensando nisso, separamos oito livros lançados no século 21 que apostam em tramas mais leves e divertidas — e que, de quebra, dialogam com questões atuais da humanidade.

Começando pelo lado mais cômico, John Scalzi é nome conhecido de quem gosta de sci-fi engraçado. Em Redshirts (2012), vencedor do Hugo, ele acompanha um grupo de novos alferes em uma nave onde as missões externas têm um índice de mortalidade assustador. A coisa fica ainda mais estranha quando a tripulação começa a investigar a natureza dos confrontos com aliens agressivos e procura um jeito de sobreviver. É uma leitura que conversa direto com fãs de Star Trek: Lower Decks.

Já The Long Way to a Small, Angry Planet (2014), estreia autopublicada de Becky Chambers, é daquelas histórias em que a jornada importa mais que o destino. A trama segue Rosemary Harper, uma mulher de Marte que tenta fugir do passado entrando na tripulação de uma nave encarregada de abrir buracos de minhoca pelo espaço. O clima de família encontrada e o convívio com aliens excêntricos fazem o livro ser uma boa pedida para quem curte Firefly ou Farscape.

Para quem gosta de um protagonista com personalidade forte, Artificial Condition (2018) é o segundo volume de The Murderbot Diaries, de Martha Wells. A série acompanha Murderbot, um ciborgue de segurança renegado que preferiria assistir a novelas em vez de proteger humanos. Neste livro, ele ganha uma contraparte à altura: uma IA de nave avançada apelidada de Asshole Research Transport. A recomendação é ler antes da segunda temporada da adaptação da Apple TV, que está em produção.

Space Opera (2018), de Catherynne M. Valente, leva o nome do gênero ao pé da letra: a humanidade precisa competir no Metagalactic Grand Prix, um festival de música nos moldes do Eurovision. A banda decadente Decibel Jones and the Absolute Zeroes tem a missão de provar, com música, que os humanos são seres sencientes — e, se ficar em último, a espécie inteira é destruída. O humor exagerado rende uma homenagem glam ao estilo de O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Em Chilling Effect (2019), Valerie Valdes apresenta a tripulação da La Sirena Negra, que não fica atrás em excentricidade. A capitã Eva Innocente, dona de um vocabulário nada polido, precisa resgatar a irmã sequestrada e esconde da própria equipe o tamanho real do problema enquanto aceita trabalhos perigosos para pagar o resgate. No caminho, aparecem gatos psíquicos e a afeição indesejada de um imperador alienígena, com piadas sobre games e cultura pop.

Gideon the Ninth (2019), primeiro volume de The Locked Tomb, de Tamsyn Muir, mistura ficção científica e fantasia em um mistério sangrento. Gideon precisa proteger a necromante Harrow enquanto herdeiros das grandes casas do império encaram desafios para provar que merecem a imortalidade. Com maquiagem de caveira e óculos de aviador, Gideon vive exasperando Harrow, mas as duas precisam colaborar para sobreviver e descobrir quem está matando os concorrentes. O humor ácido da protagonista segura o tom pesado da trama.

Project Hail Mary (2021), de Andy Weir, aposta no humor seco e na ciência explicada com didática. O professor de ciências e biólogo Ryland Grace acorda com amnésia em uma nave orbitando uma estrela distante e descobre ser o único sobrevivente de uma missão para salvar o Sol. A sorte é encontrar um aliado improvável: um alienígena tentando salvar o próprio planeta. O livro ganhou adaptação em 2026, mas ainda vale a leitura por momentos que ficaram de fora do filme.

Fechando a lista, Dungeon Crawler Carl (2024), de Matt Dinniman, mistura ficção científica e fantasia em uma série que ajudou a popularizar o LitRPG. Carl, veterano da Guarda Costeira, acaba competindo em um reality show alienígena ao lado do gato de estimação da ex-namorada. A dinâmica entre os membros improváveis do grupo rende boas risadas enquanto eles encaram desafios estranhos para subir de nível, impressionar uma IA perturbada e conquistar audiência na galáxia. Seth MacFarlane trabalha em uma adaptação da série para o Peacock.
Visão Gamer: para quem joga, a lista funciona como porta de entrada para universos que dialogam com o imaginário dos games — de LitRPG a tramas de ficção científica com humor e aventura. São opções para quem quer uma leitura leve entre uma sessão e outra, sem abrir mão de histórias com identidade própria.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/most-fun-sci-fi-books-21st-century-so-far/.
Fonte: Polygon.
2026-10-27 04:52:00
RenatoAlmeida.
2026-10-27 09:39:00































































































