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O cinema também tem seus crossovers inesperados, e um deles é Wicker, filme escrito e dirigido por Eleanor Wilson e Alex Huston Fischer. A trama acompanha uma pescadora mal-amada, interpretada por Olivia Colman, que pede a um cesteiro com poderes mágicos, vivido por Peter Dinklage, que teça um marido para ela. O resultado é o Marido de Vime: alto, bonito e feito da mesma árvore que lhe deu origem, com uma presença que faz as mulheres da vila olharem com desejo enquanto ele passa rangendo.
O papel ficou com Alexander Skarsgård, que segundo a Polygon é especialista em brincar com a própria imagem de Viking atraente sem deixar de encarná-la por completo. A publicação cita o romance Pillion, de 2025, no qual o ator expôs a fragilidade emocional de um motoqueiro dominador de couro. Em Wicker, a avaliação é que ele alcança algo parecido, porém mais terno, e o mérito é ainda maior por surgir de uma combinação de efeitos práticos e digitais.
A vila do filme fica em algum ponto entre a Idade Média e o fim da era vitoriana. Os moradores não têm nomes e são chamados por suas funções: Açougueiro, Doutor, Padeiro, Estalajadeiro, Esposa do Alfaiate. A personagem de Colman é a única mulher que carrega o próprio título em vez de herdá-lo do marido. As tradições matrimoniais do local incluem prender um colar de ferro no pescoço da noiva no dia do casamento, e é contra esse cenário que a pescadora decide pregar uma peça com seu esposo de vime — ou talvez responder a um impulso mais solitário.
A criação do Marido de Vime mistura maquiagem protética e efeitos digitais da Weta, permitindo ver o sol atravessar a estrutura vazia de tiras de salgueiro. Para a Polygon, ele é inconfundivelmente Skarsgård, e a atuação gentil do ator atravessa o artifício. A publicação descreve Wicker como um filme obsceno e engraçado, que aproveita quase todas as chances de buscar a piada, e aponta que escalar Skarsgård faz parte da brincadeira — mas ele interpreta o personagem com seriedade.
O ponto do personagem, ainda segundo a Polygon, é ser um centro de pureza e força pelo qual os vilões enciumados perdem a cabeça. Também importa que ele não seja dominante: foi invocado como resposta ao patriarcado sufocante da vila e existe para servir a mulher que ama. A análise destaca que a mensagem feminista é direta: o sistema patriarcal corrompeu a sociedade tão profundamente que um homem gentil não pode existir, então é preciso inventá-lo. A história toma um rumo sombrio e até doloroso por um tempo, até que a pescadora e o Marido de Vime recrutam o Cesteiro para uma vingança de conto de fadas.
Visão Gamer: Wicker não é um jogo, mas o texto chama atenção pelo uso de efeitos práticos e digitais da Weta para dar vida a uma criatura feita de vime. Para quem acompanha bastidores de produção e tecnologia de efeitos visuais, a mistura de próteses com renderização digital é o ponto mais curioso da fábula.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/wicker-review/.
Fonte: Polygon.
2026-10-30 14:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-30 12:19:00
































































































