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Antes da internet transformar cada teoria da conspiração em thread viral, existia um jeito bem analógico de alimentar o fascínio por Bigfoot, alienígenas e a Arca de Noé: ir ao cinema. Nos anos 1970, a produtora Sunn Classic Pictures, sediada em Utah, faturou alto lançando documentários parcialmente dramatizados sobre fenômenos pseudocientíficos, aproveitando o clima de desconfiança do público após o Vietnã e o escândalo de Watergate.

O pontapé da fórmula foi a versão reeditada e dublada em inglês do documentário alemão Chariots of the Gods, de 1970, baseado nas ideias de Erich von Däniken sobre seres celestiais que teriam semeado a humanidade primitiva. Lançado em 1973, o filme arrecadou mais de US$ 25 milhões e chegou a ser indicado ao Oscar. Para o estudioso de cinema Gary D. Rhodes, autor do livro Weirdumentary, essa é a obra fundadora do gênero. O fato de ter sido indicado ao Oscar sugere quantas mais pessoas estavam levando essas ideias a sério, disse ele à IGN.

O sucesso abriu caminho para uma leva de títulos. Em 1975 veio The Mysterious Monsters, apresentado pelo ator Peter Graves, de Missão: Impossível, que reunia num só filme Bigfoot, o monstro do Lago Ness e o Yeti. O longa era uma junção de documentários de TV já exibidos, incluindo o da CBS que ajudou a popularizar a suposta veracidade das filmagens de Roger Patterson e Robert Gimlin mostrando um Bigfoot caminhando pela floresta.

A Sunn Classic era comandada por mórmons e mirava o que o produtor Charles E. Sellier Jr. chamava de audiência perdida: famílias que não se encaixavam nem no público infantil da Disney nem no cinema violento e sexualizado da Nova Hollywood. Nessa linha, o estúdio também lançou In Search of Noah’s Ark, dirigido por James L. Conway, defendendo que haveria evidências dos restos da arca no Monte Ararat, na Turquia.

O modelo de negócio era tão curioso quanto os temas. A empresa gastava dezenas de milhares de dólares em pesquisa de mercado para saber se um assunto despertaria interesse e depois distribuía os filmes por conta própria, alugando salas com o sistema de four-walling: pagava uma taxa fixa ao cinema e ficava com toda a bilheteria, investindo pesado em comerciais de TV.
Visão Gamer: A história mostra como o público sempre teve apetite por conteúdo que mistura mistério e ciência duvidosa. É o mesmo impulso que hoje alimenta teorias em fóruns, vídeos de creepypasta e jogos de terror baseados em criptídeos. A diferença é que, nos anos 70, a única forma de consumir esse tipo de fantasia em massa era comprando um ingresso.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/aliens-bigfoots-and-monsters-remembering-the-age-of-the-weirdumentary.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-10-31 13:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-31 10:21:00































































































