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O filme A Talent for Murder, dirigido por Anton Corbijn, já está em cartaz nos cinemas e aposta em uma dupla de peso para levar ao público o universo da escritora Patricia Highsmith. Helen Mirren interpreta a autora, enquanto Alden Ehrenreich dá vida a Edward Ridgeway, um jovem editor de uma casa publicadora de Nova York, e também ao próprio Tom Ripley, personagem mais famoso criado por Highsmith.
A produção é uma adaptação da peça Switzerland, de Joanna Murray-Smith, escrita em 2014. A trama parte de um cenário fictício: Ridgeway tenta convencer Highsmith a escrever o sexto livro da série de Ripley. A narrativa acompanha dois fios ao mesmo tempo — a relação entre a autora e o editor e a história de Ripley que os dois constroem.

Highsmith, que morreu em 1995, é lembrada por criar o golpista e assassino Tom Ripley, protagonista de O Talentoso Mr. Ripley e de outros quatro romances. Na vida real, a escritora era vista como uma figura misteriosa e controversa, e o filme investe nessa excentricidade, incluindo o gosto da autora por facas e armas. Logo no início da história, Ridgeway presenteia Highsmith com uma faca, que ela usa em diferentes momentos.
Em entrevista à Polygon, Mirren contou como se sentiu ao manejar o objeto em cena. Eu amei, disse ela, aos risos. As facas, a arma, não há nada como um bom adereço. Nós, atores, amamos nossos adereços. Ehrenreich então perguntou se ela também colecionava facas. Eu gosto muito de facas. Sim, gosto. Não exatamente coleciono, respondeu Mirren, lembrando que estudou em um convento na Inglaterra e costumava pegar o ônibus. Em frente ao ponto, havia uma loja de facas e tesouras. Eu adorava ficar parada ali, olhando aquelas facas lindas. Acho as facas muito bonitas — o cabo, o equilíbrio, o aço. Sou fascinada por facas.

Segundo Mirren, o que a motivou a aceitar o papel não foi a chance de usar uma faca, mas o roteiro. O que me motivou foi um ótimo roteiro, honestamente — um roteiro que prende a leitura — e o interesse de interpretar uma personagem como Patricia Highsmith, afirmou. Para se preparar, ela assistiu a algumas entrevistas da autora, mas encontrou pouco material. Graças a Deus pelo YouTube. O YouTube é um recurso incrível para atores se preparando para quase tudo. Ela citou trechos de uma entrevista longa para a televisão britânica, em que Highsmith estava se comportando bem, e um clipe posterior, da época em que a atriz a interpreta, que considerou valioso.
Já Ehrenreich contou que não revisou todas as versões anteriores de Ripley. A única que reassisti foi O Sol por Testemunha, disse, referindo-se ao filme de 1960 que trouxe a primeira interpretação do personagem no cinema, com Alain Delon. Quando estava pesquisando, foi a que a Highsmith realmente amou. Então quis ver: se a versão do Alain Delon era mais ou menos o que ela tinha na cabeça, e a versão de Ripley que eu faço aqui é certamente através da imaginação da Highsmith, eu estava curioso para ver aquilo. Ehrenreich ainda brincou sobre o ator francês: E ele é tão bonito. Mirren concordou: Tão bonito. Ele é lindo, sim.
Visão Gamer: A Talent for Murder não é um jogo, mas mexe com um dos personagens mais adaptados da literatura, que já passou por versões como as de Matt Damon, Dennis Hopper e John Malkovich. Para quem curte narrativas de crime e anti-heróis, o filme propõe uma camada extra ao colocar em cena a própria criadora de Ripley e o processo de escrita do personagem.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/helen-mirren-alden-ehrenreich-interview-a-talent-for-murder/.
Fonte: Polygon.
2026-10-31 18:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-31 21:29:00
































































































