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Calvin e Hobbes é daquelas obras que parecem ter saído prontas da cabeça de Bill Watterson. A tirinha começa e termina em lugares parecidos, mantendo a fórmula de piada diária com eventuais surtos de surrealismo, crítica de arte e filosofia de boteco. Mas nem tudo saiu como planejado: em 1988, Watterson apresentou o tio Max, um personagem que deveria expandir o universo da tira e acabou virando apenas uma nota de rodapé na história da dupla.

A passagem de Max ocorreu entre 11 e 22 de janeiro de 1988, ocupando as tirinhas de segunda a sexta por pouco menos de duas semanas. O material está reunido em Yukon Ho!, terceiro volume impresso de Calvin e Hobbes. Na história, Max aparece de surpresa na casa da família, já que não via o sobrinho desde que ele era bebê. Calvin desconfia daquele adulto novo no pedaço, mas aos poucos cede — nem que seja porque Max é o único disposto a fingir que tem medo de Hobbes.
Watterson não deu lá muito contexto ao personagem. Max é desenhado como uma versão do pai de Calvin sem óculos e com bigode, e a tira sugere vagamente que ele já teve problemas com a lei: quando Calvin pergunta por que o tio sumiu, o pai responde que a ideia de que Max passou um tempo na cadeia não é um mau palpite. Profissão, cidade e motivo da visita nunca são revelados. Ele simplesmente aparece, interage com Calvin e os pais por duas semanas e vai embora. Nunca mais é visto.

O silêncio de Watterson sobre o assunto durou até 1995, quando o Calvin and Hobbes Tenth Anniversary Book reuniu uma seleção de tirinhas com ensaios e comentários do autor. Como Watterson se mantém recluso desde o fim da série, em 1998, esse livro segue como uma das poucas fontes sobre os bastidores da obra — e continua em catálogo pela editora original, Andrews & McMeel. É ali que ele explica a intenção por trás de Max: o personagem existiria para ampliar o alcance da tira, reaparecendo em histórias futuras, inclusive com a família de Calvin viajando para visitá-lo.
A ideia, porém, não se sustentou. Watterson percebeu durante o próprio arco de estreia que a coisa não funcionava. Um dos problemas era prático: os pais de Calvin não têm nomes, o que dificultava escrever diálogos entre eles e Max. O outro era mais estrutural — Max não abria tantas possibilidades narrativas quanto o autor esperava. A solução foi simplesmente nunca mais usá-lo. Nas palavras de Watterson no livro comemorativo: Max se foi.

Com isso, o tio Max entrou para a lista de personagens curtos de Calvin e Hobbes, ao lado de nomes como Lyman, Frieda e Hodge-Podge. Foi uma ideia que não deu certo, e às vezes é assim que as coisas acontecem nos quadrinhos.
Visão Gamer: Para quem acompanha bastidores de criação, o caso de Max é um exemplo raro de personagem descartado em uma obra conhecida pela consistência. Watterson teve a chance de expandir o universo da tira e optou por recuar quando percebeu que a ideia não rendia — uma decisão que manteve Calvin e Hobbes fiel à sua proposta original até o fim.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/uncle-max-calvin-hobbes/.
Fonte: Polygon.
2026-11-07 09:00:00
RenatoAlmeida.
2026-11-07 13:01:00























































































