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Lançado há 22 anos, GTA: San Andreas continua sendo lembrado como um marco técnico e narrativo, mas revisitar o game hoje escancara o quanto os controles da Rockstar envelheceram. A reflexão vem de uma experiência pessoal: em vez da versão original de PlayStation 2, o jogador optou pela Grand Theft Auto: The Trilogy — Definitive Edition, disponível no Steam, para reencontrar o clássico.

A história de Carl CJ Johnson segue forte. Ele volta à cidade natal para investigar a morte da mãe e reencontra a Grove Street Families em meio a uma guerra de gangues. A sequência de abertura, com CJ saindo de um carro de polícia e pegando uma bicicleta até Grove Street, ainda funciona como um soco nostálgico. O problema aparece na hora de controlar o personagem: curvas de bicicleta parecem manobrar um caminhão, e a mira com CJ troca de direção de forma abrupta, o que irrita com frequência.

Esse contraste entre amar a exploração e odiar os comandos atinge o auge na missão OG Loc. Big Smoke, Sweet e CJ vão até a delegacia buscar Jeffrey, amigo que assumiu a identidade de OG Loc para tentar entrar na vida do crime e acabou preso. A trama expõe a fetichização da vida bandida: Jeffrey tinha até chance de ir para a faculdade, mas preferiu encenar o papel de malandro. Sweet chega a chamá-lo de tolo mais de uma vez, e o grupo deixa claro que, se há opção de não se envolver com crimes, ela deve ser seguida.

Depois de buscar Jeffrey, a missão leva CJ à casa de Freddy, ex-colega de prisão que agrediu Jeffrey sexualmente e foge em uma moto. Jeffrey pede ajuda para persegui-lo e diz que precisa proteger sua reputação. O que vem a seguir é uma das sequências de perseguição mais frustrantes do jogo: Freddy atravessa becos, e manter o ritmo exige lidar com comandos rígidos de direção, quedas constantes da moto e retomadas lentas. Fazer retornos para seguir o alvo vira quase uma luta contra o próprio controle.

A experiência serve como termômetro do quanto o desenvolvimento de jogos mudou em duas décadas. GTA: San Andreas permanece um clássico com histórias e personagens que não perdem peso, mas seus controles deixam claro o abismo entre a ambição da Rockstar em 2004 e o que se espera de um jogo hoje, especialmente às vésperas de GTA 6.
Visão Gamer: para quem joga os clássicos hoje, a comparação é útil menos como nostalgia e mais como parâmetro: os controles rígidos de San Andreas mostram o tamanho do salto que a Rockstar precisou dar em fluidez e resposta até chegar ao nível de polimento exigido atualmente.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/gta-san-andreas-retrospective/.
Fonte: Polygon.
2026-10-25 13:00:00
RenatoAlmeida.
2026-10-25 15:17:00
































































































