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Em 31 de dezembro de 1995, Bill Watterson publicou a última tira de Calvin e Hobbes. Dez anos depois da estreia, em 18 de novembro de 1985, o quadrinho chegou ao fim no auge da popularidade, quando já era veiculado em mais de 2 mil jornais — número que cresceu a partir das 35 publicações iniciais, alcançando mais de 250 em cerca de um ano. Watterson escrevia e desenhava tudo sozinho, depois de anos tentando entrar no mercado até a Universal Press Syndicate apostar no projeto.

A decisão de encerrar a série foi incomum para o mercado de tiras, acostumado a séries que duram décadas. Peanuts já estava no ar havia 45 anos naquele momento, e Charles Schulz só encerraria a criação cinco anos depois, por problemas de saúde. Outras tiras seguiram além de seus criadores originais, casos de Nancy e Blondie. Watterson, porém, preferiu parar antes do desgaste. Em entrevista ao jornal Cleveland The Plain Dealer, em 2010, ele afirmou que, ao fim de dez anos, já tinha dito tudo o que queria dizer. É sempre melhor sair da festa cedo, declarou, acrescentando que, se tivesse seguido repetindo a fórmula por mais cinco, dez ou vinte anos, os mesmos leitores que hoje sentem falta estariam desejando seu fim. Segundo ele, parte do motivo de Calvin e Hobbes ainda encontrar público hoje é justamente não ter rodado até a exaustão. Nunca me arrependi de parar quando parei.

A tira final foi um domingo estendido, sem a antiga regra rígida dos nove quadrados perfeitamente quadrados que Watterson costumava ignorar. Nela, Calvin e Hobbes saem para andar de trenó depois de uma nevasca, e boa parte da página fica em branco, contraste que faz os dois personagens saltarem aos olhos. O cenário nevado já era familiar para quem acompanhava a série.

No diálogo, Calvin comenta que nevou muito na noite anterior e que tudo familiar desapareceu, com o mundo parecendo novo. Hobbes responde no mesmo tom, e Calvin celebra o ano novo como um começo limpo. É quando Hobbes quebra de leve a quarta parede e compara a cena a uma grande folha de papel branca para desenhar. Nos três quadros finais, Calvin diz que o dia está cheio de possibilidades e chama o amigo para explorar o mundo mágico à frente. Os dois partem de trenó rumo ao branco aberto.

Em vez de fechar com uma piada, Watterson entregou um final inspirador e aberto, deixando claro que Calvin e Hobbes continuam por aí, mesmo fora das páginas. Os livros coletâneos da dupla seguem sendo publicados até hoje, apesar de o autor sempre ter recusado licenciar os personagens para produtos.
Visão Gamer: finais abertos são um recurso comum em games, de campanhas que terminam sem resposta definitiva a franquias que deixam espaço para continuações. A tira de Watterson mostra como encerrar sem ponto final pode funcionar: em vez de fechar a história, ela sugere que as aventuras seguem em outro lugar — algo que muitos jogadores reconhecem em endings que preferem a imaginação do público à explicação completa.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/calvin-and-hobbes-final-comic-strip/.
Fonte: Polygon.
2026-10-31 01:33:00
RenatoAlmeida.
2026-10-31 04:53:00
































































































