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A terceira temporada de A Lenda de Korra, intitulada Livro 3: Mudança, é frequentemente apontada como um dos pontos altos da série — e não é por acaso. A produção está disponível no Paramount Plus e marca a temporada que o Studio Mir animou do começo ao fim, o que fica evidente nas sequências de bending que dominam boa parte dos episódios.

A trama parte diretamente da decisão de Korra de manter os portais do mundo espiritual abertos após a Convergência Harmônica. A escolha tem consequências amplas: espíritos passam a circular por Cidade República e pessoas comuns começam a despertar o dom do dobramento de ar, revivendo uma cultura que estava quase extinta. É nesse cenário que surge a Ordem do Lótus Vermelho, organização anarquista secreta cujo objetivo é desestabilizar a ordem mundial e encerrar o ciclo do Avatar.
O grupo é formado por Zaheer (Henry Rollins), que usa o dobramento de ar recém-adquirido para fugir de uma prisão de segurança máxima e resgatar os companheiros; Ghazan (Peter Giles), que dobra lava; Ming Hua (Grey DeLisle), que cria braços de água; e P’Li (Kristy Wu), cuja combustão é disparada pelo terceiro olho. Enquanto isso, Korra e sua equipe percorrem o mundo reunindo novos dobradores de ar na tentativa de reconstruir a Nação do Ar.

O visual dos vilões é um capítulo à parte. Ming Hua dispensa os braços e molda membros aquáticos que lembram uma aranha; P’Li tem porte imponente e cabelo trançado, com o disparo de combustão acompanhado por um som agudo. São personagens que se fixam na memória logo na primeira aparição. O contraste também pesa: o Lótus Vermelho soa adulto e experiente demais quando comparado a Korra e seus amigos, o que aumenta a sensação de perigo.
A temporada ainda reserva confrontos que colocam em evidência personagens antes deixados de lado, como Tenzin (J.K. Simmons), que tem uma batalha de destaque no Templo do Ar, e Tonraq (James Remar), pai de Korra, que impede o sequestro da filha. Zaheer, por sua vez, é o mais contido do grupo: frio, distante e totalmente comprometido com a própria ideologia. Seu único laço com o mundo é P’Li, relação que a temporada explora de forma decisiva.

Em um dos momentos mais duros da animação infantojuvenil, Zaheer tira o ar dos pulmões da Rainha da Terra, matando-a e mergulhando Ba Sing Se no caos. A série não recua diante do extremismo dele, mas também não o transforma em vilão sem argumento: as convicções de Zaheer levam Korra a questionar se o mundo não estaria melhor sem líderes corruptos como a rainha, que vive cercada de riqueza enquanto o povo sofre.
Com o triângulo amoroso envolvendo Mako (David Faustino) e Asami (Seychelle Gabriel) finalmente deixado de lado, Korra ganha espaço para outras dinâmicas, como a relação com Suyin (Anne Heche) e Lin Beifong (Mindy Sterling). A protagonista também passa mais tempo ao lado de Asami. O co-criador Bryan Konietzko comentou ao The Mary Sue, em 2014, que Korra se tornou mais simpática no Livro 3 porque estava ficando mais altruísta, deixando de centrar tudo em si mesma.

No fim de Mudança, Korra salva o mundo mais uma vez, mas termina exausta: envenenada pelo Lótus Vermelho, ela aparece em uma cadeira de rodas enquanto observa a civilização se reerguer com o retorno dos Nômades do Ar. É uma lição adulta a mais para a Avatar — às vezes, os grandes momentos da vida são agridoce.
Visão Gamer: para quem acompanha animações de ação, a temporada se destaca pelo trabalho do Studio Mir, que assinou a animação do início ao fim, e por confrontos que dão protagonismo a personagens secundários. A série completa está disponível no Paramount Plus.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/the-legend-of-korra-season-3-best-season/.
Fonte: Polygon.
2026-11-08 04:00:00
RenatoAlmeida.
2026-11-08 08:39:00























































































