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A EA anunciou em 21 de outubro o fechamento da BioWare e o cancelamento da nova sequência de Mass Effect. O que parecia uma decisão motivada pela pressão do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, que recentemente comprou a EA, ganhou outra explicação com uma reportagem do jornalista Jason Schreier, da Bloomberg: o motivo central foi Star Wars.
Segundo Schreier, a EA recebeu a oportunidade de trabalhar com a Lucasfilm, da Walt Disney Co., em um terceiro Star Wars Battlefront. Ao revisar seu portfólio de lançamentos, os executivos da publisher se depararam com dois jogos de ação sci-fi com custos projetados na casa das centenas de milhões de dólares. Diante da pressão financeira após a compra de US$ 55 bilhões pelo PIF, a empresa enxergou o novo Mass Effect como um possível concorrente do jogo de Star Wars e optou por encerrar a BioWare. O desenvolvimento de Star Wars Battlefront 3 ainda não começou, mas os executivos consideraram esse projeto o de menor risco financeiro entre os dois.

A ironia é amarga: a EA comprou a BioWare em parte por causa da série Star Wars: Knights of the Old Republic. Em comunicado, um porta-voz da EA afirmou que a empresa chegou coletivamente a essa decisão após meses de planejamento, revisão e análise, incluindo consideração cuidadosa de condições de negócios em evolução, dinâmica do setor e nossas prioridades de longo prazo.
O acordo com Star Wars foi o ponto de virada, mas não o único fator. O mais recente jogo do estúdio, Dragon Age: Veilguard, ficou 50% abaixo das expectativas de vendas. Antes disso, Mass Effect: Andromeda, de 2017, teve recepção ruim, e Anthem, de 2019, foi considerado um fracasso de live-service. O declínio da BioWare foi lento: a EA foi reduzindo o quadro de funcionários até restarem apenas 50 pessoas quando o estúdio fechou, na semana passada.
A publisher acumula críticas há décadas pela forma como gerencia estúdios adquiridos. A lista inclui Westwood (Command & Conquer), Origin (Ultima, Wing Commander), Pandemic (Star Wars Battlefront, Destroy All Humans), Black Box Games (Skate) e Visceral (Dead Space).

Pouco depois do fechamento, ex-funcionários relataram que a EA pressionou a BioWare a remover uma bandeira que parecia apoiar os direitos LGBTQ+ do Mass Effect Universe em desenvolvimento. O estúdio é conhecido há muito tempo pela representação inclusiva em seus jogos, algo que alguns especulam que poderia ter entrado na mira dado o novo apoio saudita à EA.
O caso da BioWare se soma a um 2026 duro para a indústria. Em julho, a Xbox iniciou um grande reset que deve resultar em cerca de 3.200 demissões nos próximos meses. A empresa cortou laços com estúdios aclamados como Ninja Theory, Double Fine, Undead Labs e Compulsion Games, moveu a Obsidian para a Bethesda para trabalhar em Fallout e entregou o desenvolvimento de Halo à Activision, produtora de Call of Duty. Com orçamentos cada vez maiores, as grandes publishers apostam em franquias já estabelecidas e deixam o resto de lado — sinal de menos ideias originais e mais sequências de marcas conhecidas no AAA.
Visão Gamer: Para quem esperava um novo Mass Effect, o recado é direto: o projeto não existe mais, e a decisão foi tomada com base em risco financeiro, não em potencial criativo. O caso também ilustra como a consolidação da indústria — seja por aquisições ou por pressão de custos — pode encerrar estúdios históricos de uma vez. Fica o alerta de que franquias queridas não estão imunes a cálculos de portfólio.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/mass-effect-bioware-shutdown-ea-star-wars/.
Fonte: Polygon.
2026-10-30 17:26:00
RenatoAlmeida.
2026-10-30 17:37:00































































































