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A Netflix marcou para 20 de outubro de 2026 a estreia de Cyberpunk: Edgerunners 2, segunda parte da série animada que mistura o visual do Studio Trigger com o universo distópico de Cyberpunk 2077, da CD Projekt Red. A nova temporada troca de protagonista e de proposta: em vez de acompanhar a ascensão de alguém comum ao status de lenda, a história pergunta o que acontece quando uma lenda cai.

Quem lidera o novo elenco é Weak, dublado por Clancy Brown. Ele é um ex-cyberpunk lendário obrigado a sobreviver sem qualquer aprimoramento cibernético, o chamado chrome. Em Night City, implantes são parte básica da vida e do estilo de ação explosiva que marcou a primeira temporada. Sem eles, Weak fica fisicamente vulnerável de um jeito que David e Maine nunca ficaram.
O diretor da nova temporada é Kai Ikarashi, que trabalhou como storyboarder e diretor de animação no episódio Girl on Fire da primeira temporada. Na época, ele usou a luz não como esperança, mas como uma força que isola e oprime — escolha que ajudou a transformar o episódio em um dos mais marcantes visualmente. Ikarashi diz que, em Edgerunners 2, seu interesse está menos em como a falta de chrome limita Weak nas lutas e mais no que o corpo dele revela sobre o conflito interno do personagem. Segundo o diretor, a vulnerabilidade física reflete diretamente as mudanças emocionais, e o que ele mais quer que o público observe é como o espírito de Weak encara aquilo que não tem mais como recuperar.

A identidade visual da nova temporada também está amarrada à música. A trilha é assinada por Tsuneo Imahori, com créditos em Trigun e Hajime no Ippo, e dá uma base sonora diferente da primeira temporada. Para Ikarashi, a música não foi uma camada adicionada depois da animação pronta: ela impulsionou as imagens. O diretor comenta que não gosta do termo background music, usado para trilhas de anime, porque parece colocar a animação sempre em primeiro lugar e a música como algo acessório. No caso de Imahori, diz ele, o trabalho conduziu a parte visual pela força bruta da própria música.
A abordagem de Ikarashi é descrita como experimental e pouco convencional. A produtora Saya Elder já havia dito que o novo diretor frequentemente desafiava os limites impostos pela CD Projekt Red com suas ideias. Quando questionado sobre a mais ambiciosa delas, Ikarashi cita a forma como D, um netrunner da segunda temporada cujo clã nômade foi exterminado e que busca vingança em Night City, é enquadrado ao lado de dois personagens específicos e como a dinâmica final entre eles se desenrola. Ele não entra em detalhes para não estragar a experiência de quem vai assistir.

Um material divulgado com exclusividade mostra D ao lado de Roman Carax, um jovem cinéfilo obcecado em documentar a vida real em uma cidade que praticamente abandonou o cinema em favor do braindance. Isso sugere que ele pode ser um dos dois personagens citados, mas poucos detalhes concretos foram revelados antes da estreia. Ikarashi também deixou uma pista mais ampla: a equipe discutiu bastante o contraste de velocidade e distância entre si mesmo e a cidade, conceitos moldados em parte pelo diretor assistente Naoto Uchida.
Essa ideia dialoga com a tragédia da primeira temporada. David fica absurdamente rápido com o Sandevistan, mas nenhuma velocidade o tira de Night City nem encurta a distância emocional entre ele e Lucy. A música também carrega boa parte do peso emocional do primeiro ano, com I Really Want to Stay at Your House, de Rosa Walton, aparecendo cedo na série e voltando como motivo até o fim. Para Lucy, ir à Lua de verdade é um sonho de vida que ela realiza na cena final, colocando uma enorme distância física entre ela e o trauma causado por Night City.
Ainda não se sabe como Edgerunners 2 vai reinterpretar essa relação entre velocidade, distância, a cidade e a luz que oprime e ilumina na mesma medida. Mas os comentários de Ikarashi indicam que o novo elenco pode descobrir a mesma lição cruel de David e Lucy: correr mais rápido ou ir mais longe não significa necessariamente escapar.
Visão Gamer: Para quem acompanha o universo de Cyberpunk, a temporada troca o arco de ascensão pelo de queda e coloca no centro um protagonista sem chrome, o que muda a lógica das cenas de ação e o peso dramático da história. A estreia está marcada para 20 de outubro de 2026 na Netflix.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/cyberpunk-edgerunners-2-new-director-interview/.
Fonte: Polygon.
2026-09-13 15:00:00
RenatoAlmeida.
2026-09-13 20:00:00










































































































