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A reestruturação promovida pela Microsoft no setor de jogos da Xbox deixou marcas profundas na indústria, e uma das vozes mais críticas a respeito do assunto vem de dentro de um dos estúdios mais tradicionais do mercado. Chris Hays, programador líder de serviços da id Software, responsável por franquias como Doom e Quake, concedeu uma entrevista ao canal Auf ein Bier, no final do mês passado, na qual descreveu o clima de desolação após a demissão de 136 funcionários do estúdio. Para Hays, as decisões da Microsoft foram tomadas sem visão de longo prazo e revelam um desconhecimento fundamental sobre o que é fazer jogos.
O momento das demissões, segundo o programador, tornou a situação ainda mais difícil de aceitar. O anúncio da Microsoft ocorreu um dia antes do lançamento do DLC de Doom: The Dark Ages, quando a equipe finalmente respirava após um período de crunch intenso. “Todos tinham acabado de sair de um crunch pior que o normal para lançar o DLC, finalmente ter uma folga, e estávamos animados para o lançamento na terça-feira”, relatou Hays. “Em vez de assistir com expectativa as pessoas, os streamers, e ver todo o trabalho duro finalmente valer a pena? Agora eles não sabem o que estão fazendo.”
O programador não poupou palavras para descrever o impacto emocional das demissões. “Foi tão desumano, foi desmoralizante, e o moral nunca esteve tão baixo”, afirmou. A falta de comunicação por parte da Microsoft também é alvo de críticas. Hays disse que, internamente, as mensagens repetem os mesmos comunicados públicos da empresa, mas não explicam como as mudanças vão afetar a produção de jogos. “Como isso realmente resulta em fazer jogos? Não está claro. Eu não sei. Não sei para onde isso vai.”
A redução drástica da equipe levanta questões práticas sobre a viabilidade de projetos futuros. “É difícil fazer um jogo AAA, como fizemos antes, com metade das pessoas. E por difícil, quero dizer impossível”, afirmou. “É difícil fazer um jogo quando departamentos inteiros que você precisa foram eliminados, disciplinas inteiras desapareceram. Então, se eles têm algum tipo de novo plano para como isso vai funcionar, isso não foi contado para a gente. Não sabemos o que é.”
Hays também rebateu a narrativa de que a id Software continua a mesma após as demissões. “Primeiro de tudo, não somos a mesma id. Somos metade da mesma id. O que nos tornava especiais eram as pessoas e as relações que temos. Não é a propriedade intelectual, nosso nome não importa. Eram as relações que construímos e a experiência que tínhamos juntos.” Para ele, a maior parte do controle de danos da Microsoft visa evitar que mais funcionários peçam demissão.

O programador acredita que a Microsoft queimou pontes de forma permanente na indústria, o que dificulta tanto o retorno de ex-funcionários quanto a contratação de novos talentos. “Eles queimaram muitas pontes — não é só conosco”, disse. “Originalmente, nos disseram: ‘contratamos para aposentar’. Estávamos prontos para ficar lá até nos aposentarmos, e ninguém acredita mais nisso. Nem a melhor gestão no nível do estúdio vai importar se eles decidirem um dia que teriam um aumento de 0,1% nas ações se fechassem o estúdio.”
A desconfiança em relação à Microsoft, segundo Hays, contamina toda a cadeia de comando. “Enquanto estivermos sob a Microsoft, ninguém vai acreditar em nada. Ninguém vai acreditar na gestão do estúdio dando garantias, porque sabem que eles não estão tomando as decisões. Eles nunca vão confiar na Microsoft, então, por procuração, não podem confiar na gestão do estúdio.”
O programador também apontou a falta de lógica nos cortes. “Muitos dos cortes são difíceis de entender — para ser claro, você não pode cortar 50% de um estúdio AAA de forma alguma e fazer sentido”, afirmou. “Não sei como isso funciona. Há certas partes em que a gente pensa: ‘quem vai fazer esse trabalho agora?’ Quem vai fazer nossos skyboxes quando eliminarmos o artista de skyboxes? Como vamos manter nossa infraestrutura quando eliminarmos o time de infraestrutura? Como vamos manter um motor gráfico quando grande parte do time do motor foi demitida?”
Para Hays, as decisões foram tomadas sem previsão e sem considerar a saúde do estúdio a longo prazo. “Essas decisões não foram feitas com visão de futuro. Não foram feitas com a ideia de um estúdio de jogos saudável seguindo em frente”, disse. “Eles fundamentalmente não entendem arte. Não entendem arte, não entendem jogos, não entendem esse modelo de negócio.”
A crítica de Hays encontra eco em outras decisões recentes da Microsoft que deixaram a indústria perplexa. O fechamento da Tango Gameworks, estúdio de Hi-Fi Rush, o cancelamento do Project Blackbird, que teria envolvido o então presidente da Xbox, Phil Spencer, e a redução de equipes da Zenimax em um momento em que The Elder Scrolls Online voltava a crescer são alguns exemplos citados. Até mesmo a demissão de um dos artistas conceituais mais experientes da Bethesda foi vista como um sinal de falta de compromisso com a continuidade.
Hays refletiu sobre a possibilidade de a Microsoft estar olhando apenas para o curto prazo financeiro. “Parte de mim pensa que eles estão olhando para o ano fiscal de 2027, e veem que não ganhamos dinheiro em 2027 porque já lançamos um jogo”, disse. “É difícil saber, já que eles não nos contam nada, mas está claro que a forma como fazem a contabilidade — a forma como alinham suas planilhas para relatórios financeiros — não é a forma como costumávamos fazer.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/gaming-industry/dev-at-id-software-says-microsoft-burned-a-lot-of-bridges-in-the-industry-they-fundamentally-dont-understand-art-they-dont-understand-games/.
Fonte: PC Gamer.
PCGamer latest.
2026-08-10 11:23:00
RenatoAlmeida.
2026-08-10 08:26:00











































































































