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Em agosto, o terror independente ganha um novo representante com a chegada de It Ends aos cinemas. O longa, que estreia em circuito limitado na sexta-feira, 21 de agosto, e expande para lançamento amplo em 28 de agosto, aposta em uma premissa simples e ao mesmo tempo perturbadora: um grupo de amigos preso em uma estrada sem fim, onde parar pode ser fatal. A obra, escrita, dirigida e editada pelo estreante Alexander Ullom, já nasce com a ambição de dialogar com clássicos do gênero e com a angústia de uma geração.
A inspiração declarada para o clima da produção vem de uma canção dos Talking Heads. A letra de Road to Nowhere, de David Byrne, parece ecoar no espírito do filme: Bem, sabemos para onde estamos indo / Mas não sabemos onde estivemos e Não somos criancinhas / E sabemos o que queremos / E o futuro é certo / Dê-nos tempo para resolver. Se a música tem um tom quase otimista, o filme, como convém a um horror, subverte essa energia, transformando a jornada em um pesadelo asfáltico.
A trama acompanha quatro amigos — James (Phinehas Yoon), Day (Akira Jackson), Fisher (Noah Toth) e Tyler (Mitchell Cole) — que pegam a estrada para uma viagem. Tyler, que estava afastado do grupo, retorna justamente quando os outros três estão se formando na faculdade. O reencontro é marcado por uma conversa leve e descontraída, mas a atmosfera muda quando eles percebem que a saída da estrada nunca aparece. Aos poucos, a percepção de que estão presos em um loop aterrorizante se instala, e qualquer parada prolongada faz com que maníacos emergam da mata e cerquem o carro. A única alternativa é seguir em frente, sem saber para onde.
A premissa remete a episódios de Além da Imaginação (The Twilight Zone), de Rod Serling, ou a uma peça de Sartre, como o próprio texto sugere. Mas, em vez de se limitar pela ambientação restrita, It Ends se beneficia dela. Os primeiros 15 minutos são quase inteiramente compostos por closes e planos de dois dentro do veículo, enquanto os personagens conversam e se reconectam. Ullom mantém a câmera contida, ciente de que tem 90 minutos para desenvolver a história naquele espaço limitado, e extrai o máximo de cada cena.
A tensão cresce quando Tyler e James decidem sair do carro para investigar a floresta. As luzes de emergência piscam, lançando um brilho vermelho intermitente, e é nesse momento que o espectador começa a questionar se há algo ou alguém observando. A resposta vem em forma de uma horda de figuras enlouquecidas que avançam sobre os personagens. A partir daí, o filme se transforma em uma luta constante pela sobrevivência, mas também em um exercício de interpretação.
O roteiro permite que os personagens façam as mesmas perguntas que o público faz. Aquelas pessoas que surgem da floresta, implorando para entrar no carro, estão mortas? São fantasmas ou sombras dos vivos? E se eles estão mortos, será que James, Tyler, Day e Fisher também estão? A questão do castigo kármico é levantada: alguém no carro teria feito algo muito ruim em sua vida real para merecer aquilo? Essas teorias são discutidas principalmente por James, o mais racional e analítico do grupo, mas respostas concretas nunca vêm. Aos poucos, os quatro se adaptam à rotina de dirigir sem destino, até que a normalidade se rompe novamente.
It Ends pode ser visto como uma metáfora para a transição para a vida adulta. No início, os personagens conversam sobre o futuro agora que a faculdade ficou para trás. Tyler, que já trabalha, não parece satisfeito com o rumo que sua vida tomou. James, que tem um emprego e até uma selfie de primeira comunhão com roupas de trabalho, também não demonstra felicidade. Day mora com os pais, e Fisher parece apenas seguir o fluxo, sem um plano definido. Essa indefinição existencial é o pano de fundo para o horror que se desenrola.
O filme se assume como um hangout movie, ou seja, um filme em que o prazer está em passar tempo com os personagens. Ullom revelou que se inspirou em Slacker, de Richard Linklater, e isso é evidente nas conversas aleatórias, como a discussão sobre quem venceria uma luta entre um homem com uma arma e um homem com 50 falcões, ou na monotonia de viver semanas dentro de um carro. Outro ponto de destaque é a produção: a maior parte do filme foi rodada em um palco LED de mini Volume, na alma mater de Ullom, a Universidade Estadual da Flórida (Florida State), o que é impressionante para um projeto independente.
Apesar de nunca explicitar sua mensagem, It Ends deixa uma reflexão incômoda. Os quatro personagens estão tentando encontrar seu caminho na vida, e cada um reage à situação de maneira diferente, selando seus destinos. A vida real, afinal, é uma constante cobrança para avançar, fazer mais, ganhar mais, chegar mais longe. As pessoas que ficam para trás, implorando por atenção, são ignoradas, tratadas como obstáculos. Nesse sentido, o filme sugere que o verdadeiro terror pode estar na competição implacável do mundo moderno, onde seguir as regras é a única opção.
Com uma direção segura, atuações carismáticas e uma premissa que mistura horror, suspense e drama existencial, It Ends se destaca como uma estreia promissora de Alexander Ullom. O filme chega aos cinemas selecionados em 21 de agosto e em lançamento amplo em 28 de agosto, prometendo agradar aos fãs de terror que buscam algo além de sustos fáceis.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/it-ends-movie-review.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-08-19 12:00:00
RenatoAlmeida.
2026-08-19 09:19:00









































































































