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A série animada de Golden Axe já está disponível na Paramount+. Os 10 episódios da primeira temporada chegaram ao streaming e adaptam o clássico beat-‘em-up de fantasia da Sega para o formato de comédia animada. A produção é comandada por Mike McMahan, que trabalhava como script doctor nos filmes do Sonic quando recebeu o convite de um executivo da Sega para escolher qualquer propriedade do estúdio e transformá-la em série. Ele não pensou duas vezes: escolheu Golden Axe.
Sou bem velho, disse McMahan ao Polygon. Quando o NES saiu, foi incrível para mim, e antes disso eu joguei uma quantidade insana de Golden Axe. A lembrança vem de um acampamento de verão em Chicago, onde a máquina de arcade ficava liberada para jogar de graça. Quando você é criança, tudo fica amplificado. Para muita gente, Golden Axe não é grande coisa, mas para este aqui, era um negócio enorme.
A franquia nasceu em 1989 como fliperama e ganhou sete sequências e spin-offs, o último deles em 1995, Golden Axe: The Duel. Um novo jogo foi anunciado pela Sega no The Game Awards de 2023 e, aparentemente, segue em desenvolvimento. Para Joe Chandler, cocriador e showrunner da série, o mundo de espadas e feitiçaria do game tem uma vantagem: personagens e cenários mal definidos que dão liberdade aos roteiristas. Tem um monte de coisa estranha, diz, citando o sujeito que você chuta para ganhar poções. Existem esses grandes marcos visuais — uma vila nas costas de uma tartaruga ou de uma águia — que tornam a adaptação divertida. Num jogo moderno, a Vila da Águia seria muito bem explicada. Aqui, é só uma coisa que existe.
Na trama original, o vilão Death Adder captura o Rei de Yuria e toma a machadinha dourada mágica para se declarar governante. O jogador escolhe entre três guerreiros: o bárbaro Ax Battler, a amazona Tyris Flare e o anão Gilius Thunderhead. Você tem o grandão estilo Conan, a guerreira amazona e o baixinho verde, resume Chandler. Nós dois sempre escolhíamos o anão. A série explora justamente o ressentimento de Gilius, o terceiro maior guerreiro do mundo que nunca se sente valorizado ao lado dos companheiros. É ele quem sai em aventura solo, dublado por Matthew Rhys.
Já Ax Battler (Liam McIntyre) rende piada pronta: um cara com ax no nome que passa o jogo inteiro lutando com uma espadona. Isso era uma das dez coisas que precisávamos resolver quando o writers’ room começou, conta Chandler. Obviamente, temos que abordar essa questão. McMahan vê nisso o charme esquisito da franquia, especialmente nas versões americanizadas — os chefes da localização dos EUA têm nomes de marcas de cerveja, como Bud Brothers e Lt. Heineken. Havia quase uma apreciação artística de ler os manuais e perceber o que os tradutores fizeram. Antigamente nada era tão corporativo. Hoje tudo é muito calculado.
Entre os personagens que ganham mais espaço está Hampton Squib (Danny Pudi), um aventureiro inexperiente que acompanha Gilius. Mas o destaque inesperado fica com os Ladrões, os gnomos que soltam poções mágicas quando são chutados. A série imagina uma legião deles que literalmente gosta de levar chute no traseiro. O sprite tem aquele sorrisinho no rosto, observa Chandler. Parece que ele está gostando. O que está acontecendo aqui? McMahan completa: Eles adoram levar seus chutinhos. Um episódio posterior segue um desses Ladrões até em casa e revela que ele vive uma mentira para esconder a vergonha da família — mistura de comédia e drama que virou marca da produção.
O final da temporada deixa a porta aberta para uma segunda leva. Death Adder sempre volta nos jogos, lembra Chandler. Sempre tem uma nova aventura para esses heróis. E já conversamos bastante sobre quais seriam. Claro que adoraríamos fazer mais. McMahan acrescenta que outras propriedades da Sega se cruzam com Golden Axe e poderiam entrar na expansão. Com oito jogos na série, material não falta.
Visão Gamer: Para quem cresceu jogando os fliperamas da Sega, a animação funciona como uma porta de entrada para o universo de Golden Axe fora dos games. A escolha de transformar detalhes soltos do jogo — como os Ladrões e o nome errado de Ax Battler — em piadas centrais mostra como a produção aposta no humor em cima das esquisitices da franquia. E a possibilidade de crossover com outras IPs da Sega, caso a segunda temporada saia, pode render conexões interessantes para os fãs do catálogo clássico da empresa.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/paramount-golden-axe-showrunner-interview-season-2/.
Fonte: Polygon.
2026-09-19 14:00:00
RenatoAlmeida.
2026-09-19 18:01:00











































































































